(30/10/2009)
A Igreja começou a celebrar a festa de todos os santos num só dia desde o século IX. “Hoje numa só festa celebram-se os santos canonizados e todos os justos de toda raça e nação, cujos nomes estão inscritos no livro da vida (cf. Ap 20,12)” (Missal Romano). Os santos são tantos irmãos e irmãs nossos, membros da Igreja, que nos são dados como exemplo e intercessão. Eles formam a cidade do céu, a Jerusalém do alto, nossa mãe (cf prefácio).
Eles são uma imensa multidão que proclama com voz forte: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro” (Ap 7,10). Eles adoram a Deus, dizendo: “Amém. O louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus para sempre. Amém” (Ap 7,12).
O apóstolo João nos fala ainda de um grande presente de amor, que nos foi oferecido pelo Pai: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos!” (1 Jo 3,1). Este é o mistério misericordioso que Deus realiza em nós pelo batismo: passamos a fazer parte da família de Deus como seus filhos.
A humanidade toda é chamada por Deus para percorrer o caminho da santidade. Ser santo é um chamado de Deus para todos os homens e mulheres da face da terra. O início da nossa decisão se dá quando tomamos consciência do imenso amor que Deus tem por nós. Passamos então a confiar nele e a entregarmo-nos de modo sempre mais perfeito a Ele. Continuamos vasos de barro, como diz São Paulo, mas a misericórdia de Deus nos envolve com seu poder.
Guiados por Deus, percorremos, então, o caminho das bem-aventuranças: passamos a considerar os pobres nossos irmãos, com quem compartilhamos nossa vida. Nós mesmos sentimos necessidade em permanecermos livres diante dos bens, muitos ou poucos, o que nos coloca na condição de partilhar com generosidade. Enfrentamos as aflições com serenidade porque sabemos que o Senhor é nosso consolo. Superamos a tentação da violência e nos tornamos mansos, apoiados na força de Deus, que nos faz possuir a terra. Temos fome e sede de justiça. Tornamo-nos misericordiosos para alcançar misericórdia. Adquirimos a pureza de coração, que nos permite ver as coisas, as pessoas e os acontecimentos com os olhos de Deus. Construímos a paz.
Hoje nossa busca de santidade não pode mais ser somente individual. Percorremos o caminho para Deus-Amor junto com os irmãos e as irmãs, no amor recíproco, pois ninguém pode dizer que ama a Deus a quem não vê e não ama o irmão que vê.
+ João Braz de Aviz
Arcebispo Metropolitano de Brasília